CONTROLE NEGATIVO

O Estado entendeu baixar o IVA para 5% nos ginásios «para que o actual “universo de meio milhão de pessoas a frequentar ginásios possa aumentar». Palavras de Laurentino Dias.
Seriam até declarações apropriadas ao presidente da associação do sector. Ou a um sócio ou proprietário de ginásios. Não se vê é o que o estado tenha a ver com o assunto. Sob pena de se considerar toda a realidade potencialmente regulável e sob alçada da interferência dos poderes públicos.
Veja-se o caso presente. Perante a benesse, o Estado arroga-se logo o direito de regular esmiuçadamente os mais variados aspectos daquela actividade privada como sejam a «
obrigatoriedade do ginásio ter 5 metros quadrados por praticante, a humidade relativa permitida, o sistema ventilação, o número de chuveiros, lavatórios e sanitários ou instalações de primeiros socorros, que terão de ter, entre outros, equipamento de reanimação.» Acrescem profissionais obrigatoriamente licenciados em educação física, seguro obrigatório…..

E a cereja em cima do bolo:
«De acordo com o projecto governamental, todos os utentes do ginásio estão sujeitos ao controlo antidopagem

Vai ser engraçado: a Dona Miquinhas, que por causa dos bicos de papagaio toma um remédio qualquer, controlou positivo num ginásio onde faz ginástica aquática juntamente com as suas amigas do Centro de Dia. Agora vai ter de apresentar um parecer médico onde se prove que os componentes do remédio interferem com uns índices quaisquer , não andando propriamente a tomar drogas estimulantes para ter mais massa muscular….. Ou o senhor Alcides, cujo registo na bicicleta do ginásio assinala uma performance demasiado elevada para os seus 76 anos, lá teve de verter águas para a garrafinha e agora está na mesma situação dos ciclistas profissionais: provar que o seu corpo produz de forma natural índices elevados de testarona, ficando preventivamente suspenso da actividade a aguardar contra-análise……

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