Pérolas*
«Como lidar connosco, adolescentes: (…) Prestem-nos serviços a tempo e dentro das nossas disponibildades horárias. Não nos julguem. Aceitem-nos tal como somos, não nos dêem lições de moral, nem nos moralizem. Usem uma linguagem e materiais que a gente entenda.» – estas pérolas estão inscritas num cartaz afixado nos centros de saúde. Tanto quanto parece os destinatários do cartaz serão os funcionários que lidam com adolescentes mas na verdade o cartaz está afixado de modo a que os utentes o leiam. Talvez se pretenda com esta medida que a gente adulta que espera resignadamente pela sua vez perceba não só que os adolescentes, na sua vida de estudantes, têm constrangimentos horários excepcionais e muito superiores aos dos trabalhadores mas também que retenham duma vez por todas que a moral é uma coisa de velhos. Dispensável mesmo.
O que irá na cabecinha de quem produz um cartaz como este? Não sei. Mas ainda sei menos o que vai ser o futuro duma geração que está ser educada e estimulada pelo estado na crença que está acima dos julgamentos por mais graves que sejam os seus actos. O que vai ser desta geração quando cair na realidade desprovida de «linguagem e materiais que a gente entenda»?

*PÚBLICO, 14 de Janeiro 

Helena Matos

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