Nas mãos de Cavaco

Longe vão os tempos de um Sócrates assertivo, que gostava de decidir e que irradiava certezas. Agora, acabada a presidência europeia e os grandes palcos mediáticos, de volta à terrinha que já se presume desdenhar, que Primeiro-Ministro vamos ter a pouco mais de 1 ano das próximas Legislativas?
O seu Governo está a desgastar-se com uma pressa surpreendente. Porquê aguentar um ministro da Saúde que justifica os encerramentos hospitalares com “estudos técnicos”, sendo logo desmentido pelos técnicos propriamente ditos, e, num volte-face descarado, sorri e afirma que a sua decisão foi “política”?
Como aturar a trapalhada entre governantes sobre o aumento das pensões de reforma?
O que leva Sócrates a consentir a existência política de Mário Lino que diariamente se caricatura a si mesmo e apenas serve de pasto ao anedotário nacional?
Foi a própria imagem do Primeiro-Ministro que se transfigurou na questão do referendo ao Tratado europeu – as suas justificações não convenceram ninguém porque ele próprio não estava convencido e transbordava ter sido coagido.
Os desaires de Sócrates são um reforço imenso do peso político do seu maior aliado aparente: Cavaco Silva. Não me lembro de nenhum Governo constitucional se ter colocado tão integral e inocentemente nas mãos de um Presidente da República: Sócrates tanto ansiou pela sua aprovação que, agora, dificilmente resistirá à sua censura. O grande trunfo de Sócrates é que ainda está a faltar oposição.

HERESIAS de ontem, no Correio da Manhã
(http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=273373&idselect=93&idCanal=93&p=200)

CAA

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