Tudo vai bem no país médio

Miguel Abrantes da Câmara Corporativa tem excelentes argumentos a favor do salário mínimo:

O SMN não é o salário médio (sendo desejável que nos próximos anos o salário médio cresça moderadamente);

Como sabemos, a economia portuguesa é constituida por empresas médias que pagam salários médios. Logo, se o salário mínimo aumentar não há problema nenhum porque não existirão empresas de baixos salários para falir nem empresas médias a rejeitar trabalhadores pouco qualificados. Tudo vai bem no mundo das médias. Claro que, em média, Miguel Abrantes tem razão.
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Os países concorrentes também aumentam o SMN (até mais do que Portugal);

É o argumento “atira-te ao rio porque os outros também se atiram”. Ou, dito de outra forma, Portugal torna-se competitivo se acrescentar às suas debilidades naturais os erros dos outros. É a teoria da vantagem competitiva da imitação do erro.

O SMN pouco subiu nos últimos anos (criando margem para aumentos sem fazer perigar a competitividade);

O salário mínimo é um erro, mas é um erro pequenino. Um erro pequenino com vantagens pequeninas para quem o aufere, mas sem desventagens, mesmo que pequeninas, para a competitividade. Isto porque, como sabemos, só o salário médio afecta a competitividade.

O país não quer nem pode especializar-se em sectores de mão-de-obra barata.

Este é o argumento “Culto da Carga”. A melhor forma de especializar um país em salários elevados é elevar os salários. Genial. Ainda ninguém tinha pensado nisso.

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