O Estado Social português…

É bom; muito bom, mesmo, para certos cidadãos….

É o caso da família de Maria. Ela, a Maria, tem 57 anos de idade.

Depois de ter trabalhado esporadicamente numa loja (em part-time) e como empregada doméstica, cobrando à hora, lá obteve (dentro dos quadros legais e como era seu direito) o subsídio de desemprego….Curiosamente, não por falta de trabalho: as solicitações de Maria para exercício da actividade de empregada doméstica eram muitas. Trabalho não lhe faltava (e nada mal pago!).

Ora, como Maria não é mulher para desperdícios, vai daí e continuou a aceitar ofertas de trabalho não declarado… ###

Entretanto, Joaquim, marido de Maria (um velho militante da esquerda revolucionária que ajudou a organizar muitas manifestações no pós-25 de Abril – pelo menos, ele próprio, conta, entusiasmadamente e com visível saudade, tal período da sua vida), conseguiu ser reformado de uma grande, importante e incontornável empresa pública nacional, com a bonita idade de 55 anos de idade.

O casal tem dois filhos: Isabel e António.

Isabel, 21 anos, trabalhou cerca de dois anos, também sem declarar, como auxiliar numa creche. Depois disso, por manifesta desadequação para com as funções, lá conseguiu ir trabalhando – umas vezes sem declarar, outras regularmente – em várias lojas de shoppings centers…. Aborreceu-se. Está, também, a receber, actualmente, o subsídio de desemprego e ajuda (contra remuneração não declarada, bem entendido) Joana, sua tia e proprietária de um pequeno café, sito na freguesia onde mora.

António, 34 anos, funcionário público (exercendo uma função não especializada), tem um pequeno projecto de empreendedorismo comercial. Dedica-se à planificação e a contactos, tendo em vista a implementação de tal projecto… Só lhe fica bem a “veia empreendedora” (que é o que, de certa forma, mais falta entre nós!).

Porém, António exerce tal vocação empreendedorística (pelo menos, em projecto e em contactos), enquanto está relaxadamente de baixa…psiquiátrica (que, curiosamente, se renova há já tempo muito significativo). Tratou disso (segundo o próprio) porque um colega “que se mexe muito bem na Segurança Social” lhe explicou como fazer e o incentivou… De facto, como diz o anúncio, às vezes, o que faz mesmo falta é só um empurrãozinho!

Lembrei-me desta história familiar (verídica…se bem que os nomes não correspondam à verdade), a propósito da tão propalada evasão fiscal e do hercúleo esforço que a administração fiscal está a fazer para cobrar (de qualquer maneira, diga-se!), até ao fim do ano, aquilo que acha que certos contribuintes lhe devem…

PS – É verdade, Maria e o marido só há pouco tempo – por causa do pedido de subsídio – é que entraram em contacto com esse admirável mundo dos cidadãos conhecidos e constantes dos registos informáticos das Finanças….Foi o preço – pequeno, apesar de tudo – que teve que pagar!)

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