"Por que não sou conservador"

“Aqueles que são capazes de trocar a sua liberdade por alguma segurança não merecem nem a liberdade nem a segurança.”

Benjamin Franklin (1706-1790)

A partir das reacções aos crimes na noite do Porto e Lisboa podemos separar as águas entre conservadores e liberais.
Em blogues, círculos de reflexão e revistas criadas para o efeito, a direita portuguesa tem feito um esforço para se reinventar. A tarefa é difícil. Falar em direita, entre nós, não é o mesmo que ler um artigo no ‘The Spectator’.
A nossa direita nunca renegou as suas origens miguelistas. Refugiou-se no despotismo provinciano e beato de Salazar a quem ainda venera os modos e as soluções. Na sua lógica vital perdura o ressentimento contra a Modernidade. Confunde conservadorismo com intolerância, é estatizante, centralista, e não interiorizou a liberdade como fim.
Ultimamente, parte desta direita quis dar um ar mais modernaço e, por moda, diz-se liberal.
A vaga de crimes, no entanto, revela o que jaz por baixo da camada de cosméticos: um conservador em Portugal, instantaneamente, ‘pavlovianamente’, usa o pretexto para exigir o reforço das polícias e a limitação genérica dos direitos dos cidadãos em prol da sensação de segurança ou da eterna imprecisão colectivista chamada ‘bem comum’.
Converter a perda de liberdade numa questão moral ou cívica é negar a essência do liberalismo. Quem o fizer ou é conservador ou socialista – porque aquilo que os une é precisamente o que os afasta dos liberais.

* ‘Heresias’, Correio da Manhã de ontem.

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