Ainda não é desta.

Parece que o empréstimo que António Costa quer contrair é de uma categoria especial. É um empréstimo que não é dívida. É um empréstimo que vai servir para pagar a dívida, o que é excelente porque resolve-se o problema, paga-se o que se deve e a Câmara fica porreira, pá.

A única coisa chata é que este empréstimo é para pagar e logo também é dívida. E ainda por cima, esta até tem juros. O que António Costa pretende fazer é apenas substituir dívida de curto prazo por dívida de longo prazo – mais ou menos o mesmo esconder o lixo para debaixo do tapete, o que lhe permitirá passar estes meses que faltam até às eleições num desejável não mexe, não toca, não incomoda ninguém, tirem-me os fornecedores da porta. E, na onda, trazem-se uns milhões a mais, para fazer uns brilharetes até às eleições.

E assim, faz de contas que não tem lá a pesada estrutura da autarquia mais a E-nova, a Ambelis, a OML, a ATL, as SRU, a EGEAC, a Emarlis, a Gebalis, a Lispolis, a Casa da América Latina e sei lá que mais organismos que dão emprego a milhares de eleitores e respectivas famílias e a muitos quadros do(s) partidos(s). Porque fazer o que é preciso – fechar grande parte destas estruturas devastadoras de recursos, diminuir o quadro de pessoal da câmara, cortar subsídios, dizer muitas vezes não – dá direito a manifestações, desagrados, indignações, choros e gritos, jornalistas excitados, sindicatos em êxtase e confusão generalizada. Clima agreste para quem tem ambições políticas e só pensa em eleições.

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