Fazer bebés II

Numa sociedade colectivista não há vida pessoal. Só há vida colectiva. Se o colectivo, via Estado, é que trata da educação das crianças, é que paga os respectivas despesas, é que decide que valores é que elas devem ter, é que decide o que é que elas devem comer, é que decide que pais é que podem manter a guarda das crianças do colectivo, então é muito natural que as pessoas esperem que seja também o colectivo a fazer os bebés. E de qualquer das formas, se os indivíduos, através do colectivo, já podem transmitir valores às crianças, decidir sobre a sua educação, definir o que elas devem comer, decidir quem as pode tutelar etc, então que mais é que podem querer? Porque é que se haveriam de dar ao trabalho de ter filhos próprios, se podem delegar a tarefa num órgão do colectivo especializado em reprodução, mantendo algum poder de decisão? É claro que a experiência paternal colectivista será um tanto imperfeita, um bocadito burocrática. Mas também o são todas as outras experiências da vida colectiva. Sentir orgulho por ver os filhos do colectivo crescer, por vê-los transformarem-se em pequenos nazis da reciclagem, não é bem a mesma coisa que sentir orgulho por ver os próprios filhos crescer. Mas, sentir orgulho por ver a selecção nacional ganhar ou ver Portugal subir nos rankings internacionais também não é bem a mesma coisa que ter vitórias próprias na vida pessoal ou profissional.

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