Ouvir o ‘virtuose’ *


A noite estava gelada mas fiz o percurso a pé. Quando cheguei à Casa da Música vi que a sala estava cheia. Depois entrou a Orquestra Barroca da Casa da Música e quem a ia dirigir por uma noite: Fabio Biondi. Felizes aqueles que conseguem assistir à actuação de um virtuoso. Já o tinha escutado num fantástico concerto sobre Vivaldi e, a partir daí, adoptei o seu talento como coisa imperdível.
Para quem olha a história como um todo não deixa de ser paradoxal que a época em que a Europa viveu sob uma tirania asfixiante, o absolutismo, tenha sido a mesma em que a arte foi elevada a níveis de beleza raras vezes replicados, o barroco – até tremo a pensar nisso.
Biondi, quer com o violino quer com a ‘viola d’amore’, é um privilégio para o espírito. E não só – no regresso a casa, senti-me abraçado na melodia singular em que tinha estado. E não senti frio.

* Publicado no Correio da Manhã em 19.XI.2007

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