O melhor amigo da oposição *

Mesmo quem nunca gostou de Álvaro Cunhal não duvidava do seu valor. Começo a pensar coisa diferente.
Primeiro foi Pina Moura. De delfim de Cunhal passou a socialista – logo alcançou a primazia no rol dos piores ministros do regime e numa área onde a concorrência é assinalável. Agora, outro preferido de Cunhal veio comprovar que a sua celebrada inteligência esmorecia na escolha dos colaboradores: falo de Mário Lino, claro.
Desde que Manuel Pinho optou, sabiamente, por um silêncio que lhe é muito apropriado, Lino firmou-se como o governante capaz de se exceder no despautério do que disse e não devia, no que era suposto não ter feito mas fez, sempre numa espiral de desmentidos. Só na última semana embrulhou-se com o Tribunal de Contas por causa da gestão da Estradas de Portugal (negando-se a si mesmo com a apressada nomeação de Almerindo Marques), atarantou-se na concessão da rede rodoviária e fez da escolha da localização do novo aeroporto um espectáculo de ópera bufa. A RAVE, empresa sob sua tutela, parece uma agência de marketing político pró-Ota. Graças a Lino, o Governo será politicamente derrotado seja qual for o resultado desta complicação.
Como é que quem já insultou um terço do País (sem nunca se retractar), que se enreda em maquinações estratégicas ao nível de uma associação de estudantes cobrindo de ridículo os projectos que devia animar, se mantém em funções alegremente? As oposições agradecem, os portugueses nem por isso.

* ‘Heresias’, ao domingo, no Correio da Manhã

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