A escola pública e as lojas do povo

A nossa leitora Gabriela fez o seguinte comentário:

Fala dos resultados que se veem. Que resultados? Que em trinta anos a alfabetizacao da populacao portuguesa passou de 30% da populacao para 90%? Realmente é um resultado muito triste. Os meus pais tem menos da quarta classe, eu fiz a Universidade. Realmente é um resultado tristissimo.

Penso que na antiga União Soviética as pessoas terão feito raciocínios destes. Os defensores do regime poderiam ter argumentado que os sovkhozes e kolkhozes eram uma excelente forma de organizar a produção agrícola e as lojas do povo uma excelente forma de distribuir os bens produzidos pelas empresas do estado. Afinal, estas formas de organização alimentaram 3 gerações de soviéticos. Sem elas, teriam todos morrido de fome.

Quem é contra a escola pública só pode ser pelo analfabetismo. Afinal, se não fosse a escola pública não haveria outra forma de ensinar os portugueses a ler. Os portugueses, sem ninguém que lhes pagasse a escola, e sobretudo sem ninguém a que a organizasse, ficariam eternamente embrutecidos. 70% dos portugueses ainda seriam analfabetos. Esta posição é interessante, principalmente se tivermos em conta que os maus resultados da escola pública são justificados com o meio socioeconómico dos alunos. Mas se o meio socioeconómico é assim tão determinante para a educação, porque razão se atribui o desaparecimento do analfabetismo à escola pública e não ao crescimento económico e à abertura social que o país sofreu nos últimos 50 anos?

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