O Referendo

Se José Sócrates quiser mesmo evitar uma ratificação ao Tratado Reformador da UE através de um referendo, sacudindo politicamente a água do seu capote, poderia contar com a aparente posição de Cavaco Silva….

No entanto, Sócrates tem algumas boas razões para promover tal referendo, a saber: ###

– o clima parece ser favorável, em Portugal, a um voto expressivo no “sim” (“sim”… seja lá ao que for, uma vez que, a propósito de Tratados comunitários ou a propósito de qualquer assunto, mesmo estritamente técnico, relativo à União Europeia, por mais voltas que se dêem, o debate faz-se sempre, invariavelmente, entre aqueles que são adeptos da integração europeia e os outros, aqueles que, no fundo, são contra);

– no plano europeu, ainda que exista uma má vontade quanto à realização de referendos (sobretudo, em França e na Holanda!), o facto é que o referendo português não embaraçaria Sócrates, uma vez que, pelo menos a República da Irlanda, por imperativos constitucionais, promoverá mesmo tal referendo ao Tratado;

– depois do sucesso, até agora, da sua prestação como Presidente do Conselho de Ministros da União em exercício, seria interessante, para Sócrates, ficar ligado à realização da primeira consulta popular (quem sabe senão mesmo a única!) em Portugal, sobre a Europa – sim…porque por mais que o pretexto seja o referendo ao Tratado, o velho debate “clubístico” entre aqueles que são sempre, sempre contra a Europa (esta ou qualquer outra Europa!) e os outros, que são sempre, sempre a favor e de qualquer maneira, ocorrerá;

– finalmente, como refere António Vitorino, Sócrates teria aqui uma oportunidade para surpreender….suponho que pensando, sobretudo, no embaraço que, para o PSD, a campanha para tal referendo poderá causar!

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