Nada será igual

Aqueles que, uma vez mais, lamentam o país, deveriam ter pensado melhor antes de terem escolhido para ‘feitor da quinta’ alguém tão destituído dos mais ínfimos elementos para liderar o que quer que seja, como Marques Mendes. Nos últimos 2 anos, Marques Mendes demonstrou que é tudo menos um político nascido para ser uma primeira figura. Em lugar algum, seja em que contexto for. Todos o percebiam – sobretudo os adversários. E, também, as bases, que são muito mais dos que os filiados com as quotas em dia – fartei-me de falar com gente cuja única justificação para irem votar Marques Mendes era uma confusa e tortuosa tese de “preparar o caminho” até chegar alguém melhor…
Mas os supostos barões não quiseram ver a patente nudez do seu ‘projecto de feitor‘.
Com aquela obstinação típica da nobreza decadente e arruinada que ainda se crê fundamental, insultaram a inteligência dos militantes, escarneceram do senso comum de todos os eleitores potenciais do PSD: apoiaram, em bando, uma solução inviável, cínica porque plena de reserva mental (Pacheco Pereira foi o único que garantiu convictamente que votaria em Mendes mesmo que os candidatos fossem aqueles que todos falavam – nos outros não acredito). Julgavam que tudo se resolveria pela simples indicação da sua vontade. Que ninguém se importaria com aquilo que era óbvio: que o seguro mais tranquilizador para Sócrates, durante estes 2 anos, foi a tíbia oposição de Marques Mendes.
Agora os planos terão de ser remodelados. No PS e no Governo. E no CDS, a partir de hoje, ainda mais estafado e precocemente envelhecido. As estratégias, quase perfeitas no papel, da cerca de dezena de figuretas do aparelho laranja que se julgavam fadadas para assumirem o lugar de Marques Mendes após a sua previsível imolação eleitoral em 2009, têm de ser repensadas. Vai ser difícil. A maioria deste decrépito baronato laranja está tentada a imitar o estilo de afrontação interna que o ‘bando de Portas’ fez a Ribeiro e Castro quando este ganhou o CDS – basta ler as tristíssimas declarações de Paula Teixeira da Cruz logo após a derrota do seu candidato (de que ela é, aliás, uma das principais responsáveis).
Veremos. O PSD tem um sentido de adaptação ao real distinto dos outros partidos – ou melhor, é bom não esquecer, como diz FJV, que «É o negócio que está em causa». E apesar da verdade naquilo que diz o Rui.
Todo o contexto mudou. Definitivamente. Como também escrevi: «A candidatura de Menezes tem defeitos. Mas com ele a líder laranja, o Governo de Sócrates nunca mais terá a podre paz em que estamos. E tudo ficará em aberto para 2009.»

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