Leitura indispensável

A maioria democrática não aceita jornalistas que de uma forma sistemática critiquem o seu governo, porque isso representa uma ofensa e uma traição à própria maioria, e esta deixa de lhe comprar os jornais. Por isso, os jornais de grande circulação em regime democrático são tipicamente submissos, e uma espécie de porta-vozes semi-oficiais dos governos da maioria. Não aceita cantores, escritores, intelectuais ou artistas que contestem a democracia ou que exibam qualquer sinal de independência de espírito e criatividade, e exclui-os, condenando-os ao esquecimento. A maioria democrática não aceita sequer quem ouse criticar os seus governantes ou fazer troça deles, porque os governantes são o espelho da maioria, e a maioria pune quem a ofende ou troça dela. Em suma, os heróis da ditadura, que eram os homens e mulheres de espírito crítico e independente, são as principais vítimas da democracia. A democracia não os vai submeter a torturas físicas. Pelo contrário, exclui-os, marginaliza-os, esquece-os, faz com que se lhes definhe o espírito e se lhes morra a alma.

Assim termina Pedro Arroja “Não há machado que corte”, um interessantíssimo ensaio sobre a liberdade de expressão. Disponível aqui.

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