Ségolène e o Benfica!

Há muitas pistas de reflexão deixadas em aberto pelas recentes eleições presidenciais francesas. Uma delas poderá ser a forma como a imprensa – a nossa, principalmente – tem vindo a analisar os resultados (e, sobretudo, a expor-nos essa análise). ###

É curiosa a forma como se parte (alguma imprensa parte!) sempre, sistematicamente, da tentativa de explicar a derrota de Ségolène, como se fosse algo de profundamente anormal, bizarro, irracional e catastrófico! De permeio, aproveita-se para, subliminarmente, se repisarem, mais uma vez, os velhos chavões (de ignorância ou de desatenção) sobre Sarkozy. Uma espécie de “dizer mal” sem parecer que se está a dizer mal!

E lá se regressa às explicações para a derrota de Ségolène, cada vez mais sofisticadas e irelevantes, tipo, “a aproximação ao centro fê-la perder os seus eleitores de esquerda mais radicais”, ” as divisões dentro do Partido Socialista fragilizaram a sua campanha”, “Sarkozy apropriou-se de alguns temas da esquerda” ou, ao invés, ” fez uma aproximação ás bandeiras de Le Pen”, “Sarkozy adoptou uma postura populista,” etc., etc., etc….

Por vezes, julgo estar a ouvir alguns dos nossos comentadores desportivos pronunciando-se sobre uma ou outra derrota do Benfica! É sempre anormal, espantoso, significa sempre que o Benfica está em crise e, concomitantemente, “o futebol português está em crise” – mesmo quando, na mesma época ou em épocas recentes, teve uma equipa vencedora da Taça UEFA , da Champions League e da Taça Intercontinental, mais alguns brilharetes das selecções nacionais!
Invariavelmente, encontram-se para coisas simples como o facto de o adversário ter sido melhor, explicações longínquas e esotéricas, envolvendo problemas de Direcções, perfis de Presidentes, “estruturas administrativas” e até mesmo “modelos de gestão”! Parece que está sempre subjacente a todas as análises desse tipo, a certeza de que há uma espécie de “direito natural” (que foi violado!) à vitória do Benfica !

Também com as eleições presidenciais francesas, para certos jornalistas e comentadores, parece que a “ordem natural” e “virtuosa” das coisas imporia, necessariamente, a vitória de Ségolène….Seguramente, também por causa de preconceitos como este e este, que o jcd recordou!

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