Um país não é uma aldeia

O catolicismo português não é uma imposição da Igreja de Roma ao povo. Ao fim de centenas de anos, a religião não é uma criação intelectual dos teólogos nem uma verdade revelada aos santos e aos apóstolos. É o produto da evolução cultural. Como tal, encontra-se adaptada não apenas à cultura do povo, mas também à realidade natural e económica em que ele viveu durante séculos. Essa realidade é a aldeia de uma centena de pequenos agricultores, na qual todos se conhecem e onde todos têm mais ou menos o mesmo status. O traço cultural que mais influencia os sentimentos políticos dos portugueses não é o catolicismo intelectualizado, mas sim o igualitarismo característico de uma pequena aldeia. Em política, aquilo que os portugueses querem é reproduzir em ponto grande a política igualitária da sua pequena aldeia. E a verdade é que têm sido bem sucedidos. Infelizmente, um país não é uma aldeia.

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