partidos novos, ameaças velhas

Nos regimes democráticos dificilmente ocorrem verdadeiras rupturas. A criação de novos partidos com força para substituírem os partidos-âncora só acontece quando os regimes estão esgotados e se encontram à beira do fim. Em Portugal, ao longo de toda a III República, isso nunca sucedeu, nem mesmo quando um Chefe de Estado em exercício patrocinou a criação de um partido de que veio a ser presidente.
O fenómeno é compreensível e as suas causas também: a duração dos regimes políticos assenta na estabilidade que lhes é dada pelas suas forças políticas principais, em democracia, pelos partidos que os governam. Se os regimes estão estáveis, os seus partidos nucleares também; se estes se encontram em crise, essa crise resulta, ou estende-se, aos alicerces do próprio regime. Por outro lado, o custo de transferência da lealdade de um cidadão de um partido para outro é muito elevado (daí a existência do chamado «centrão» em todas as democracias ocidentais). Para um outro sem existência duradoura, sem provas dadas, com reduzida implantação e poucos recursos é ainda muito mais alto. ###
Por isso, não se compreendem as insinuações feitas, pela milionésima vez, por Pedro Santana Lopes, sobre a eventualidade da criação de um novo partido político na área do PSD, onde ele teria papel relevante. Ele não só nunca o fez, como já ameaçou fazê-lo inúmeras vezes sem concretizar a ameaça. De facto, ele bem sabe que essa possibilidade não está em cima da mesa. Que ele julgue que a hipótese pode ainda assustar alguém, demonstra o estado de desorientação política em que se encontra desde que abandonou a presidência da Câmara Municipal de Lisboa.

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