A direita, a educação e a autoridade

A direita portuguesa herdou do Estado Novo uma concepção da educação de acordo com o qual a autoridade do professor emana, não do seu mérito, mas da posição que ocupa. Ora, este modelo deixou de ser possível a partir do momento em que o Estado deixou de poder usar os meios coercivos que usava para dominar o corpo docente e a sociedade. Nem a sociedade está disposta a aceitar autoridades que não têm que se justificar nem o próprio corpo docente está disposto a desempenhar esse papel. Por outro lado, a direita portuguesa compartilha com a esquerda a ideia de que a micro-gestão da escola é um assunto político e que por isso a disciplina nas escolas deve ser tratada pelo próprio Ministro da Educação. A direita, tal como a esquerda, não reivindica liberdade de ensino, não reivindica a autonomia das escolas em matéria educativa e disciplinar. A direita, tal como a esquerda, espera que o seu modelo autoritário seja aplicado uniformemente em todas as escolas por ordem do Ministério da Educação. A direita, tal como a esquerda, espera que os conteúdos da sua preferência sejam os únicos a ser leccionados em todas as escolas do país. É isto que a direita tem a oferecer em matéria de educação. O regresso à escola autoritária do livro único e da propaganda de direita.

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