França

A tradição cristã é uma tradição aberta à crítica, frequentemente até ao insulto. Pelo contrário, parece que na tradição judaica, quem ouse, vindo de fora, às vezes meramente invocar o seu nome – mais ainda se pretender questioná-la – corre o risco de ser recebido com uma barragem de acusações, invectivas e demonstrações de superioridade que tornam todo o diálogo impossível.
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E, no entanto, o conflito no Médio-Oriente que ameaça agora nova escalada com o agravamento da situação no Iraque – se é para não descambar num incidente nuclear -, só pode ser resolvido pelo diálogo, e pelo diálogo sobre valores – valores que, na sua maior parte, possuem milénios de existência. De um lado, os valores da tradição judaica; do outro, os valores da tradição islâmica; e o cristianismo metido de permeio. Daí a importância do estudo da religião para quem pretenda contribuir para resolver o problema mais importante da modernidade – este conflito de valores ou de civilizações.###
Se, no conflito entre as tradições judaica e islâmica, ainda é possível parar o uso da força – e sobretudo, evitar o uso da força última – eu estou convencido que a única tradição que possui condições para o fazer é a tradição cristã. Porque é uma tradição irmã de ambas as outras; porque pode reclamar um certo estatuto de imparcialidade no conflito; porque é a mais aberta, a mais flexível e a mais tolerante de todas.
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Os países que, na conjuntura actual, melhor representam estes activos da tradição cristã são, na minha opinião, países da Europa continental – e a França à frente de todos os outros. Por isso, eu sou um adepto de que a opinião pública internacional – e a europeia em particular -, se coloque fortemente por detrás da diplomacia e da política externa francesa. Porque, se o problema do Médio-Oriente fôr capaz de ter uma solução pacífica, e a ameaça nuclear sobre a humanidade puder ainda ser dissipada, a minha opinião é a de que a França será, muito provavelmente, o seu autor principal.

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