A fraude política

Daniel Oliveira chama fraude política à proposta do NÃO de despenalizar o aborto. Até pode ser. Mas a questão é que a proposta do NÃO teve o mérito de desmarcarar outra fraude política, desta vez do SIM, quando o SIM pretendeu passar a mensagem de que o que está em causa é apenas a prisão das mulheres. Se fosse acolheriam a proposta do NÃO de braços abertos.
O pecado original da campanha do SIM é que criou incerteza e desconfiança entre os indecisos moderados pouco interessados em votar no aborto a pedido, no aborto no SNS ou no desconhecido. Os eleitores moderados querem ser convencidos, não gostam de meias verdades e detestam incertezas. É por isso que é um erro culpar a campanha eleitoral pela confusão dos eleitores. Os eleitores não ficaram confusos, ficaram melhor informados sobre a existência de zonas de sombra associadas ao SIM. Ficaram a conhecer os limites do seu próprio desconhecimento e isso é sempre positivo.

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