Resposta a Tiago Mendes

Tiago Mendes diz que eu defendo que a a realidade é simples e redutível. Sinceramente, não percebo onde é que Tiago Mendes foi buscar a ideia de que eu defendo que a realidade é simples. Não deve ter lido os meus posts sobre economia e teoria do caos, sistemas descentralizados nem os meus posts contra a planificação do território por uma autoridade central.

Quanto ao redutível, o que eu defendo é que qualquer sistema complexo, incluindo as sociedades humanas, resultam exclusivamente das propriedades das suas partes. Ou seja, defendo que os sistemas complexos não têm causas mágicas. Para que o Tiago possa perceber melhor o que quero dizer recomendo-lhe a série O natural, o artificial e o espontâneo: I, II, III (este é do AAA), IV, V, VI,VII, VIII, IX, X, XI, XII, XIII, XIV, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX.

O que o Tiago não parece perceber é que um sistema pode ser ao mesmo tempo reductível às suas componentes e complexo. O Tiago parece não gostar de construções “mecanicistas” e “algorítmicos”, mas qualquer livro introdutório aos sistemas complexos e à teoria do caos explica que um sistema complexo pode resultar da aplicação algorítimica de regras simples a um estado inicial. É por isso que a simulação de sistemas complexos em computador é possível.

O Tiago parece achar que só existe ciência no sentido popperiano do termo. Depois eu é que sou simplista. Ao defender tal teoria, o Tiago exclui todas as teorias lógicas que limitam o conjunto dos universos que são possíveis. No fundo, para o Tiago o Princípio da Selecção Natural e a Praxeologia não são ciência porque nem uma nem outra são falsificáveis (ver Os limites do falsificacionismo I e Os limites do falsificacionismo II).

O Tiago Mendes parece achar que a sociedade não pode ser perfeita e totalmente interpretável à luz do conjunto de células ou bactérias. Não sei o que o Tiago quer dizer com interpretável. O que lhe posso dizer é que os processos sociais futuros serão uma consequência do ambiente externo e do estado actual de todas as células de todos os seres humanos. Quem defende o contrário acredita que existem causas mágicas que determinam os processos sociais.

Finalmente, acho curioso que o Tiago acuse os membros da Escola Austríaca de simplismo, quando Hayek foi um dos pioneiros da teoria dos fenómenos complexos, muito antes de tais fenómenos terem chegado às ciências duras. Hayek foi um dos primeiros a conceber a mente como uma ordem espontânea, a teorizar sobre sistemas complexos (link requer inscrição — creio) e a reconhecer a importância dos limites à propagação de informação numa economia.

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