O melhor é mesmo tapar o nariz, fechar os olhos e votar no homem logo na 1.ª volta

Este tipo de argumento levou em 1986 Soares até à Presidência da República Nestas coisas de eleições, não vale a pena inventar.

Já agora, caro AAA, concordo que há cinco candidatos do «modelo social». Como dizia alguém por estes dias (julgo que foi o JPP, mas já não me recordo), o único eleitorado que está órfão nestas eleições é o Liberal.

Pelo que vamos ter de adoptar um candidato. E, vendo como os restantes candidatos, da Esquerda Tradicional à «neo-gauche», atacam Cavaco Silva, deixo de ter dúvidas sobre o sentido do meu voto. Se «eles» atacam tanto, o homem então deve ter alguma virtude (nem que seja causar uma pandemia anacleta de urticária).

Eu tinha jurado a mim próprio que não votaria em Cavaco Silva, depois da atitude que teve com Fernando Nogueira e, mais recentemente, com Santana Lopes, dando o seu contributo para a forçada queda do Governo com um artigo mortal no Espesso, ou com a brincadeira dos cartazes. Os meus candidatos preferidos tinham outro perfil. Manuela Ferreira Leite, por exemplo. Só que à medida que Soares e Louçã vão abrindo a goela (embora certo seja que no caso de Soares o faça sobretudo para bocejar), chego à conclusão que qualquer um deles me dá uma enorme «azia», e que os tempos não estão para grandes utopias.

Eu sei que, como liberal, assumir que vou botar no homem não é coisa que devesse fazer assim tão abertamente; um certo decoro exigir-se-ia, ainda por cima depois do que escrevi, v.g., aqui, aqui, aqui; sempre podia esperar mais uns tempos, para me vergar só na hora da verdade; realmente, a procissão ainda vai no Adro. Ou então, fazer de conta e deixar o processo eleitoral passar-me ao lado, assobiando para o ar; ou ser cínico e «cola», como muitos, fingindo ser Cavaquista desde pequenino. Só que nada disto tem a ver comigo. Nestas coisas prefiro sujeitar-me a ouvir que tenho sangue de pinguim – o que nem deixa de ser verdade – e apoiar logo o rei do bolo na sua aspiração ao trono, ajudando com a minha modesta bancada aqui no Blasfémias ao esclarecimento público desde o início da campanha, do que por teimosia e para manter a fachada arrriscar a que o país fique sem checks and balances. Esta é talvez a única lição que retiro da Esquerda; na hora da verdade, importa saber ir a jogo, contando com quem lá está. E uma coisa é certa: Cavaco Silva é de longe o candidato que melhor garante a independência e o equilíbrio de poderes no actual momento político. E isto é, no fundo, aquilo que neste momento está em jogo.

Ainda assim, e para salvaguarda intestinal, recomendo a todos os liberais que só com algum esforço e muito boa vontade vão votar em Cavaco Silva, que o façam em jejum ou, então, que acompanhem o voto com umas batatinhas salteadas, para disfarçar o sabor. Ter sempre por perto umas pastilhas Rennie também é da mais elementar prudência. Se, em 1986, Cunhal conseguiu apelar ao voto em Soares, e só morreu dezanove anos depois, então estou certo que ainda nos esperam muitos anos de vida.

Rodrigo Adão da Fonseca

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