Os limites do falsificacionismo I

O que é a ciência? Neste post, a Palmira comenta duas definições possíveis de ciência (pdf):

Definição A (preferida pela Palmira): ?Science is the human activity of seeking natural explanations for what we observe in the world around us.?

Definição B (proposta pelos criacionistas do Kansas): “Science is a systematic method of continuing investigation that uses observation, hypothesis testing, measurement, experimentation, logical argument and theory-building to lead to more adequate explanations of natural phenomena.”

Estas duas definições levantam uma questão importante: a ciência é apenas a procura de explicações naturais para o que observamos no mundo à nossa volta? Existem explicações não naturais para os fenómenos observados à nossa volta? Como é que se explica um fenómeno natural por outro sem uma teoria da causalidade ou sem uma teoria que relacione as propriedades dos objectos com a sua identidade?

De acordo com as posições que têm sido defendidas pela Palmira e por outros membros do Diário Ateísta, em ciência o conhecimento só pode ser adquirido por via exclusivamente empírica. A actividade teórica não gera conhecimento porque o conhecimento só se adquire a partir do momento em que a teoria é verificada experimentalmente. Segue-se só pode ser ciência aquilo que é falsificável. As teorias não falsificáveis acerca da natureza estão fora do âmbito da ciência.

Esta visão da ciência tem dois problemas. Em primeiro lugar, o principal fundamento metafísico da ciência, a ideia de que existe uma realidade independente da mente que a percepciona, é uma mera crença e não é falsificável. Logo nenhum conhecimento científico seria sequer possível. Em segundo lugar, o corpo solidificado de conhecimentos científicos contém uma quantidade muito signifivativa de conhecimento, o chamado conhecimento sintético a priori, que não é falsificável no sentido popperiano do termo.

O que é irónico nesta discussão é que a definição A, ao excluir à partida explicações lógicas para os fenómenos naturais, exclui logo à partida a ideia fundamental do darwinismo, o princípio da selecção natural. A única definição de ciência que é compatível com o darwinismo é a definição B, proposta pelos criacionistas, porque inclui uma referência à argumentação lógica.

(continua)

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