CARO JOSÉ

(resposta a um comentário de JOSÉ à minha posta “Uma Lástima de Juiz“)

Quanto à “chico-espertice”:

1 – Não era minha intenção “botar figura” ou transbordar informações acerca daquilo que se está a passar naquele processo;

2 – No entanto, sei alguma coisa para além do que “vem nos jornais”. E, desde já, asseguro-lhe que essa informação já é mais do que suficiente para fundamentar uma opinião acerca do dr. Rui Teixeira;

3 – Já fui advogado e conheço relativamente bem o modus operandi do sistema judicial português;

4 -Hoje, a minha profissão é ensinar direito. Como já a exerço há alguns anos, muitos dos meus ex-alunos são hoje juízes;

5 – Donde, conheço os dois “lados da barricada” e estou em condições de exteriorizar um comentário;

6 – O dr. Rui Teixeira não tem culpa pessoal – esta pertence à maquina judicial que, acefalamente, lhe colocou um processo desta complexidade nas mãos, tendo em conta a sua falta de condições objectivas e subjectivas para o suportar;

7 – Acresce que a exposição pública que este caso aportou requer uma especial fibra para lhe resistir – o juiz em causa não o conseguiu fazer;

8 – Apenas quanto a este último episódio (não concedendo nos múltiplos anteriores): dar uma entrevista em que se formulam opiniões gravíssimas sobre o desenrolar do processo enquanto este ainda está pendente e numa das suas fases mais críticas, é demasiado errado. É desleal para com a sua colega que agora o titula. É deontologicamente inconcebível. Descredibiliza definitivamente a honorabilidade profissional de quem o faz.

9 – A magistratura tem de perceber, quanto antes, a imperiosa necessidade de se adaptar à actual conjuntura da opinião pública se debruçar prioritariamente sobre as questões da Justiça. De querer saber porquê. De pôr em dúvida a bondade das suas decisões;

10 – A magistratura portuguesa já não vive em sistema autopoiético, fechada sobre si mesma e em circularidade auto-referencial. As pessoas comuns vêem e querem ver mais acerca dos Tribunais e dos magistrados;

11 – E se os senhores não têm cuidado, as pessoas vão acabar por perceber, cedo demais, um dos segredos mais bem guardados das faculdades de direito portuguesas e dos juristas que conhecem o funcionamento das coisas do direito – e este, caro José, diz respeito à qualidade profissional de grande parte da nossa magistratura…

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